quinta-feira, 19 de novembro de 2009

quarta-feira, 18 de novembro de 2009



Recife Convention & Visitors Bureau, órgão que promove o turismo na capital pernambucana, levará um projeto de temática gay para o Festival de Turismo de Gramado. O evento será realizado nos dias 20 e 21 de novembro e os pernambucanos deverão apresentar detalhes da campanha "Friendly LGBT. Pernambuco simpatiza com Você", que funciona desde 2008. "O turismo LGBT é um dos segmentos que mais crescem no mundo. No Brasil, o mercado está em verdadeira expansão", afirmou José Otávio de Meira Lins, presidente do órgão turístico do Recife.Durante o Festival de Gramado será distribuído o Guia da Diversidade, que reúne informações sobre estabelecimentos gay friendly do Recife.




O encerramento do Projeto Nacional de Capacitação em Projetos Culturais para Grupos LGBT será realizado no Rio de Janeiro. A iniciativa, de autoria de ABGLT em parceria com outros grupos e financiado pela Secretaria da Identidade e Diversidade Cultural, do Ministério da Cultura, visa orientar na produção e formatação de projetos culturais para a população LGBT através das Leis de Incentivo à Cultura.A capacitação já passou por quatro regiões do País. No Sudeste, última região a receber o projeto, o encontro será realizado no Rio de Janeiro entre os dias 20 e 22 de novembro.São esperados 30 participantes e as inscrições podem ser feitas até esta quinta, 19. Informações pelo e-mail capacitacaocultural.lgbt@hotmail.com.

A revista Out acaba de divulgar a lista das 100 personalidades que mais influenciaram o universo LGBT em 2009. E no topo da lista está o cantor Adam Lambert, que ficou famoso por participar do reality American Idol. A lista ainda traz a atriz Wanda Sykes, a cantora Cyndy Lauper, Pedro Almodóvar e o filho da cantora Cher, o transexual Chaz Bono. Em entrevista à revista, Lambert disse que muitas pessoas acham o jeito como lida com sua sexualidade ofensivo porque ele é gay. "A sexualidade masculina está apavorando a América". Além de Lambert, Sykes e Lauper, a capa da revista Out deste mês ainda trouxe o assumido militar Lt. Dan Choi e o diretor Rob Marshall.Lauper é a única hétero da capa e, por isso, ganhou o título de "aliada do ano". A cantora foi a responsável pela fundação da True Colors Fund, instituição que conta principalmente com doações e voluntariado. Segundo seu site, a cantora, com a ajuda de outros artistas, já arrecadou mais de 200 mil dólares para outras organizações LGBT.


Contrariando uma afirmação feita há alguns meses, o célebre cartunista Mauricio de Sousa incluiu na revista Tina o primeiro personagem possivelmente gay. Na 6ª edição da revista, Caio é apresentado como melhor amigo de Tina na história de capa. Em um momento da história, ele diz a outro personagem que é comprometido e indica outro rapaz, que confirma a história. A afirmação causa surpresa no outro personagem. Segundo a assessoria do cartunista, essa é a primeira vez que o assunto é abordado e cumpre a promessa do autor de discutir questões ligadas ao universo adolescente, "de forma tranquila e sem levantar bandeiras". A assessoria ainda levanta a possibilidade de que ele seja bissexual e afirma que ele voltará a aprecer nas histórias. Nesta edição há também um discurso de Tina, agora estudante de jornalismo, contra todas as formas de preconceito.


terça-feira, 17 de novembro de 2009







Existe uma possibilidade dentro das impossibilidades". É com essas palavras que o cineasta Aluizio Abranches ("Um Copo de Cólera") define seu novo filme: "Do Começo ao Fim", que estreia no país no próximo dia 27, depois de ter aberto o festival Mix Brasil, no último dia 14.


Os protagonistas são dois meio-irmãos que se apaixonam e se envolvem, inclusive sexualmente.
Abranches disse que tinha noção de que o longa causaria polêmica, mas está espantado com a repercussão do filme. "São assuntos delicados, tabus mesmo, a homossexualidade e o incesto. Eu queria fazer algo radical, mas ao mesmo tempo bonito. Os personagens tornam isso possível. A força do filme está na aceitação que eles têm do amor um pelo outro".O diretor conta que se espantou ao ver tanta gente reclamando que no filme não há conflito. Os dois irmãos aceitam seu amor sem nenhum problema, assim como os outros personagens, que não questionam nem estranham esse relacionamento delicado. "Acho que o público não consegue suportar uma história com final feliz, algo otimista". Mas, alega o diretor, não pense que "Do Começo ao Fim" retrata um mundo cor-de-rosa. "Existem conflitos, existem questionamentos, só porque não estão escancarados. Muita gente está reclamando por causa disso. Mas o que as pessoas querem? Uma tragédia, que os dois rapazes apanhem, morram, só porque se amam?".O diretor complementa: "O filme tem ética - que ninguém venha me dizer o contrário. O julgamento está do lado de fora, eu deixei isso para o espectador. E descobri que incomoda muito mais um casal de gays felizes do que infelizes. Se eu deixasse um clima pesado, um final trágico, talvez as pessoas não reclamassem. Mas essa abordagem também não me interessa".
A ideia para criar o casal de irmãos, Thomás e Francisco, surgiu na cabeça do diretor, que também assina o roteiro, há muitos anos, numa das vezes em que releu "Os Maias", de Eça de Queiroz. O romance português retrata um amor impossível entre um irmão e uma irmã. Mas Abranches quis radicalizar ainda mais, colocando dois irmãos do mesmo sexo. Agora, que o filme está pronto e prestes a chegar aos cinemas, o diretor pondera: "Eu queria que as pessoas entrassem mais no filme, na relação dos dois. Que fossem assistir ao longa sem preconceitos. Acho até que 'Do começo ao fim' pode ajudar muitos adolescentes a entenderem a sua homossexualidade e a se assumirem. Se for esse o papel do meu filme, já estou satisfeito".Abranches defende que, com seu filme, prega um mundo mais tolerante. "O fato de os dois personagens serem irmãos reforça a liberdade homossexual deles. Eu vejo como algo que o destino lhes preparou". Para abordar um tema tão complexo e complicado como o incesto, Abranches cita dois filmes: "Os Sonhadores" (2003), de Bernardo Bertolucci, no qual uma irmã e um irmão têm uma relação delicada e cheia de meios-tons, e "O Sopro no Coração" (1971), de Louis Malle, em que uma mãe e um filho passam uma noite juntos. Abranches rodou "Do começo ao fim" há exatamente um ano, entre outubro e novembro de 2008, e fez o filme praticamente na surdina. O longa se tornou assunto apenas em maio deste ano, quando um teaser vazou para a internet e despertou a curiosidade de muita gente - nem sempre positivamente. O próprio diretor conta que teve muita dificuldade de conseguir empresas para investirem no seu longa, quando era ainda apenas uma sinopse. "Os patrocinadores se assustavam, ninguém queria colocar dinheiro no projeto", conta o diretor, que bancou sozinho boa parte do orçamento de cerca de R$ 2 milhões. "Eu acredito, porém, que muita gente dizia que não colocaria dinheiro no filme por causa do tema do incesto, mas, na verdade, eles tinham medo mesmo é da questão da homossexualidade", aponta.Quando finalmente começou a pré-produção de "Do Começo ao Fim", Abranches importou um diretor de fotografia, o suíço Ueli Steiger, que trabalhou em Hollywood em superproduções como "Austin Powers: O Agente 'Bond' Cama", "O Dia Depois de Amanhã" e "Godzilla" - esses dois, de Roland Emmerich, que acaba de lançar "2012". Abranches conheceu Steiger no início dos anos de 1980, quando estudaram cinema na Inglaterra. "Ficamos amigos e sempre nos falamos. Sempre ensaiamos trabalhar juntos, mas nunca deu certo. Desta vez, acabou acontecendo, ele gostou da história e veio para o Brasil filmar comigo. Ele até me disse que abriu mão de fazer '2012' para fazer o meu filme".Se, por um lado, o tema de "Do começo ao fim" assustou possíveis investidores, por outro, tem feito a alegria de psicólogos e educadores, já que o filme levanta questões complexas e raramente exploradas na ficção. "Eu tenho feito palestras, bate-papos em várias associações", conta o diretor. "Os psicólogos, em especial, gostam de discutir o assunto. Vários me contaram que ainda não existe nada documentado, como sobre o complexo de Édipo".


Em meio a muito glamour, briga e confusão, a representante do Espírito Santo, Ava Simões, foi eleita a Miss Brasil Gay no Sport Clube, em Juiz de Fora, no último sábado, 14. Além de receber o maior prêmio da noite, Ava conquistou os prêmios de Voto Popular, Melhor Traje Típico e Melhor Traje de Gala. Com uma produção bem cuidada, o evento começou com a apresentação da Galeria da Beleza, comandada por Silvetty Montilla. Desfilaram a Miss Primavera, Miss Beleza Gay e os Misters Gay da Bahia e Alagoas. Logo depois, os jurados foram apresentados. Isabelita dos Patins, a Miss Brasil Gay 2004 Renata Finsk e a ex-BBB Josi Oliveira estavam entre eles. "Como uma boa juizforana essa não é a primeira vez que venho ao concurso, mas como jurada é a primeira vez e me sinto lisonjeada", afirmou Josi ao Mix.Desfile traje típico
Todas as candidatas desfilaram com trajes típicos representando seus respectivos estados. O destaque foi a Miss Minas Gerais, Karen Moore, que apareceu com uma roupa futurista e leds por todo o corpo. Ava Simões foi recebida com chocolates jogados pelo público e, sempre, levando sua torcida ao delírio. A Miss São Paulo, Taysa Shinayder, também não ficou atrás começando seu desfile high-tech dentro de um cofre. Desfile Traje de Gala
Na segunda parte da noite, todas as candidatas desfilaram com vestidos bem produzidos. Contudo, quem surpreendeu com o figurino foram Ava Simões, Karen Moore, Carol Zwick e Lisa Suam.Shows
Muitas performances marcaram a noite. Léo Áquila arrancou aplausos do público quando cantou uma bateria de músicas e trocou de roupa cinco vezes no palco. "Tenho quinze anos de carreira e isso foi o necessário para eu estar aqui", disse. A cantora Xuxu, que bombou na internet com seu clipe "Pantera Cor-de-rosa", fez uma apresentação morna e, apesar de ser de Juiz de Fora, não animou nem seus conterrâneos. Já Kaika Sabatella surpreendeu se apresentando como Susan Boyle, cantando "I Have a Dream" antes de se jogar no funk. No fim, a fofa tirou a peruca e foi aplaudida de pé, o que a fez sair do palco emocionada. Quase às 4 da manhã, a promessa da noite, a cantora Georgia Brown, insistiu para empolgar o público. Coroação e brigas
A quantidade de prêmios e o séquito de fãs presentes da Miss Espírito Santo provocou mal estar entre as outras concorrentes. Nos bastidores, elas comentavam que Ava Simões não tinha beleza o suficiente nem merecimento de tanto prestígio. Algumas candidatas alegavam que Ava não estava apta fisicamente para participar do concurso. Taysa Shinayder, Miss Gay São Paulo, afirmou que Ava Simões poderia ter feito cirurgia de transgenitalização, o que não é permitido pelo regulamento do concurso.Ao ter seu nome anunciado como Miss Brasil Gay 2009, Ava Simões chorou e recebeu das mãos da Miss Brasil Gay 2008, Lizandra Brunelly, o maior prêmio da noite. Emocionada, desfilou pelo palco e enquanto estava sendo entrevistada por uma equipe de televisão, teve sua peruca arrancada pela Miss São Paulo. Seguranças subiram ao palco, membros da equipe da produção da Taysa Shinayder começaram quebra-quebra no palco e Ava, em prantos, arrumava a peruca para entrar novamente no palco. Durante a confusão, Ava Simões precisou ser escoltada por seguranças. As campeãsPrimeiro lugar: Miss Espírito Santo Gay - Ava Simões
Segundo lugar: Miss Santa Catarina Gay - Carol Zwick
Terceiro lugar: Miss São Paulo Gay - Taysa Shinayder
Quarto lugar: Miss Paraná Gay - Laviny Woitilla
Quinto lugar: Miss Alagoas Gay - Radha VasconcelosMiss Brasil Gay 2009 Júri PopularMiss Espírito Santo Gay - Ava SimõesMiss SimpatiaMiss Paraíba Gay - Andreina MoonTrajes típicos
Primeiro lugar: Miss Espírito Santo Gay - Ava Simões
Segundo lugar: Miss São Paulo Gay - Taysa Shinayder
Terceiro lugar: Miss Minas Gerais Gay - Karen MooreTrajes de galaPrimeiro lugar: Miss Espírito Santo Gay - Ava SimõesSegundo lugar: Miss Santa Catarina Gay - Carol ZwickTerceiro lugar: Miss Rio de Janeiro Gay - Lisa Suam



O Conselho Nacional de Saúde aprovou por unanimidade quinta, 12, a Política Nacional de Saúde Integral dos LGBT. O pacote de medidas, analisado e votado por representantes da sociedade civil e do governo, visa humanizar e qualificar o atendimento médico para esta fatia da população. O plano inclui questões sobre identidade de gênero e étnico-racial nos prontuários clínicos e preparar profissionais da área médica sobre demandas específicas dos LGBT. A prevenção ao câncer de mama em travestis e transexuais em decorrência do uso de silicone industrial também deve estar entre as ações a serem desenvolvidas.





Após todas as polêmicas que quase comprometeram sua realização, a Parada do Orgulho Gay de Duque de Caxias rolou neste domingo, 15. De acordo com estimativas da Polícia Militar e dos organizadores, 200 mil pessoas participaram do desfile. O trajeto pela Avenida Brigadeiro Lima e Silva foi marcado pela música eletrônica e por ações de conscientização sobre HIV e outras doenças sexualmente transmissíveis. A organização armou também uma tenda para receber doações que serão entregues para vítimas das chuvas na Baixada Fluminense. A Parada de Duque de Caxias foi realizada sem nenhum tipo de apoio do poder público. Entre os bafafás que envolveram o evento, você deve lembrar que o prefeito José Camilo Zito impediu que Parada rolasse em 11 de outubro, data inicialmente agendada. A justificativa para o veto foi que a organização supostamente não havia pedido autorização em tempo hábil. Depois da nova data marcada, Zito avisou que não iria repassar camisinhas e lubrificantes para distribuição durante o trajeto. E no começo da semana passada, o juiz da Vara da Infância, da Juventude e do Idoso de Duque de Caxias proibiu que menores de idade participasse do desfilho do Orgulho LGBT. Mesmo com a decisão, repudiada pelo Conselho Estadual de Defesa da Criança e do Adolescente, muitos menores foram vistos na avenida. "Impedir menores de frequentar o evento, que é realizado na rua, fere o direito de ir e vir e também limita o acesso a informação, direito vigente no Estatuto da Criança e Adolescente. Vamos entrar com uma petição na Corregedoria de Justiça do Estado para que o juiz justifique sua decisão, que para mim foi preconceituosa", disse ao O Globo Claudio Nascimento, superintendente de Direitos Individuais, Coletivos e Difusos da Secretaria estadual de Assistência Social e Direitos Humanos.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009



COMPORTAMENTO


Sábado, 23h, a noite está um tanto fria e o destino se chama avenida Vieira de Carvalho, na Praça da República, centro histórico da cidade de São Paulo e ponto tradicional de encontro entre gays, lésbicas, travestis e transexuais. Também circulam por lá os profissionais do sexo, mais conhecidos como michês e os meninos de rua. Enfim, o centro paulistano abraça a população gay e todo o tipo de gente que decide por lá iniciar e terminar a sua noite, tomar um copo de vinho, encontrar seu par e outras atividades.
Lugar comum dizer que a maioria das pessoas que circulam por lá é jovem, com idades entre 18 e 25 anos. A concentração é maior na esquina da avenida Arouche com a rua Bento Freita, local do lendário clube adolescente Freedom. Mas o destino seria outro: locais de encontro de homens gays que já se encontram na terceira idade, ou como dizem alguns, na melhor idade.
"Sair à noite para mim é normal, me sinto bem em qualquer lugar", diz Juvenal Alves, 65 anos, divorciado, três filhos, enquanto tomava uma cerveja no Caneca de Prata, bar frequentado por homens gays maduros. Com ótimo humor, ele continua a falar sobre as casas ou locais de encontros LGBT. "Hoje essa coisa do local ficou como as bandeiras levantadas pelos militantes: muito fechada. Não gosto de lugares só para gays, pois eu gosto de pessoas, por isso não tenho problema nenhum em ir a qualquer lugar".
Raimundo Migo, 55, natural de Minas Gerais, também uma pessoa alegre e com energia jovem diz que não tem problemas para arrumar par quando sai à noite. Aliás, pelo contrário, "para mim é ótimo, porque na verdade são os jovens que me procuram. É fácil encontrar um par, basta andar na rua que eles começam a mexer comigo", orgulha-se. Conforme as personagens se revelam, alguns mitos se desconstroem. Ao redor do Caneca de Prata aglomeram-se grupos de homens mais velhos, acima dos 40 anos. É certo que muitos preferem não falar com a reportagem, mas sempre muito simpáticos, explicam que são casados e preferem se preservar.
Na mesma noite, a reportagem rumou para outro local de encontro entre coroas gays: a casa noturna ABC Bailão, localizada na rua Marquês de Itu, também no centro histórico de São Paulo. Não poderia tirar fotos e conversar com as pessoas, assim informou o promoter da casa Ivan Santos. "Olha, teve uma vez que veio um cara aqui com câmera e as pessoas não gostaram. O povo aqui é muito reservado", explica.
Ivan tem 52 anos e, além de host do Bailão, também é um amante da noite e fala sobre a criação da casa. "Foi aberta para isso, para o coroa gay. No começo só ia mesmo os homens mais velhos, mas de um tempo pra cá, tem aparecido bastante jovens. Nós da casa gostamos, mas tem alguns caras que não gostam. Temos que tratar a todos bem, pois tem o jovem que vem aqui à procura de homens mais velhos. Há os mais velhos que gostam dos mais jovens e sabem que eles vêm aqui. Agora, até as mulheres estão aparecendo e isso tem gerado polêmica."
No Bailão, as mulheres pagam R$ 40 para entrar e homens acima dos 50 anos pagam R$ 10. Por conta disso, passaram a acusar a direção da boate de preconceituosa. "Estranho chamarem a gente de preconceituosos, tem outras casas que fazem isso. Não é preconceito, a mulher é benvinda, mas paga mais caro."
Ivan Santos conta que frequentou muitas casas noturnas gays e ainda o faz. "Eu fui muito na Corinto, Homo Sapiens e outras". Ainda conversando sobre a noite, pergunto como ele vê a atual cena da cidade. "Hoje é difícil um lugar decente para se dançar. Tudo está diferente, falta respeito nos lugares para o gay. Hoje temos dificuldade para encontrar um lugar legal", lamenta.
Adepto de um bar com espaço ao ar livre, Raimundo diz que não gosta do ambiente das casas noturnas. "Já fui a algumas casas, mas não gosto do som muito alto e do cheiro de cigarro", conta. Juvenal segue no mesmo caminho. "Eu vou às vezes pra conhecer a casa, quando é inaugurada. Mas depois não volto."
Quando questionado sobre a presença dos mais jovens na noite, Juvenal surpreende e diz que a democracia transformou a atual geração em anarquistas puros. "Essa juventude gay não se dá ao respeito. Não acho certo eles andarem de mãos dadas por aí. As crianças não estão preparadas para isso. Também acho que não precisa andar agarrado", opina. E por que, então, os héteros podem? "Ah, mas as pessoas estão acostumadas. Olha, cheguei a São Paulo em 1962 e sempre houve encontro entre gays. Hoje eles estragam tudo. Pode se viver muito bem assim (escondido). Na minha família mesmo tem um monte de viado, mas tudo enrustido", revela.
Opinião similar é de Raimundo. "Sou da ditadura. Acho que o Brasil ficou anárquico. Falta respeito e segurança. Tem um povo jovem que vai além, a juventude gay hoje peca pelo excesso. Mas eles também são incentivados a isso. Pois o que são essas matinês? Tem uma casa aqui na região que faz festas gays domingo à tarde, passe por lá e verá um monte de moleque louco."
Juvenal também acredita que hoje o grande problema na noite para os gays é a falta de segurança. "Nos ano 60/70 nós ficávamos a noite inteira na Praça da República e não acontecia nada. Ninguém era espancado ou assaltado. Hoje não dá mais para namorar lá." Ivan nutre mesma opinião. "Quando estou de folga vou conhecer outras casas e uma coisa que reparo é que não há muita segurança. É tudo muito perigoso."
Talvez algumas pessoas discordem das opiniões ditas por nossos entrevistados, mas, assim como colocou Raimundo, eles são frutos de uma sociedade ultraconservadora e que respirava a ditadura. A vida gay nesse período ainda era clandestina. Podemos entender que muito do pensamento deles está ligado à sociedade dos anos 60/70. De repente, para quem tem 20 e poucos anos, alguns conceitos de família podem soar inverossímeis com o mundo atual. Da mesma forma como para Ivan, Juvenal e Raimundo um sábado à noite na rua Augusta pode ser algo pra lá de subversivo.

Os detentos Gays do Pará terão agora o direito de receber visitas íntimas nas celas. Os interessados em receber seus parceiros devem, a partir de agora, fazer um pedido à Superintendência do Sistema Penitenciário do Pará (Susipe).De acordo com assessoria de imprensa do governo paraense, o pedido partiu da própria Superintendência, que solicitou à Justiça a ampliação da autorização dada a uma presidiária de Marituba, na região metropolitana de Belém, para receber visitas íntimas de sua companheira."É um avanço importante para nossa comunidade. Quando a Susipe dá um passo voluntário como esse, a gente vê que há uma intenção real de mudar a situação de exclusão dos Homossexuais", comemorou Marcelo Larrat, do Centro de Referência, Prevenção e Combate à Homofobia, da Defensoria Pública do Estado do Pará.




A 6ª edição da revista "Tina", da editora Panini, apresenta o primeiro personagem aparentemente gay das histórias de Mauricio de Sousa, criador da Turma da Mônica.
Caio, que é apresentado como melhor amigo de Tina na história de capa, assume ser "comprometido", indicando outro rapaz, o que causa estranhamento para os outros personagens.
A personagem Tina, originalmente hippie, nos anos de 1960, agora tem um amigo gay, em história da edição número seis de sua revista
A assessoria de Maurício de Sousa considera que é a primeira vez que o assunto é abordado nas histórias, cumprindo promessa do autor de discutir questões ligadas ao universo adolescente, "de forma tranquila e sem levantar bandeiras".
No entanto, para brindar a inclusão dele na história, há nela também um discurso de Tina contra preconceito em geral.
O assessor afirma que a história não pretendeu ser categórica no lançamento de um personagem gay. Ele levanta até a possibilidade de que ele seja bissexual, no entanto. Ele também assegura que a história e o personagem terá a devida continuidade e encaminhamento.
Tina, agora estudante de jornalismo, é uma personagem que foi criada nos anos de 1960, inicialmente com um visual hippie, e traços bem diferentes dos atuais
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