sexta-feira, 17 de junho de 2011



O canal GNT vai exibir o documentário “A Revolta de Stonewall” no próximo dia 26 de junho, domingo, às 00h30. O documentário faz parte da “Semana da Diversidade Sexual” que o canal promove na próxima semana.

“A Revolta de Stonewall” conta os fatos ocorridos nos dias 28, 29 e 30 de junho de 1969 em Nova York, quando um grupo de travestis, lésbicas e gays resolveram resistir a uma abusiva batida policial. A revolta tornou-se o marco zero do movimento gay organizado. A batida policial era corriqueira no bar Stonewall Inn, em Nova York, mas nunca os gays que ali estavam questionaram a autoridade policial. Considerada abusiva, nesta noite os freqüentadores do bar, boa parte vindos do enterro da diva Judy Garland, acabou se virando contra os policias, que precisaram chamar reforços. A barricada durou três dias e três noites e a partir do ano seguinte grupos gays passaram a se reunir sempre em torno do dia 28 de junho para relembrar da revolta, o que deu origem às Paradas no mundo todo.
“A Revolta de Stonewall” (com legendas em português)
26 de junho
00h30
GNT
MixBrasil

"Stonewall Uprising" Trailer


A 15ª Parada do Orgulho LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais) de São Paulo, que acontece no dia 26 de junho, terá transmissão ao vivo, em vídeo, no UOL. A partir das 12h, o humorista, cantor e compositor Falcão e as jornalistas Marcela Rahal e Patricia Vicentini comandam a transmissão direto da avenida Paulista, com flashes ao vivo e entrevistas.

Os internautas também poderão acompanhar a transmissão e fazer comentários pelo Twitter, pelo Facebook e pelas salas de Bate-papo do UOL.
A parada deste ano acontece no momento em que o movimento gay acumula vitórias e polêmicas. Há pouco mais de um mês, ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) decidiram que casais gays devem desfrutar de direitos semelhantes aos de pares heterossexuais, como pensões, aposentadorias e inclusão em planos de saúde.
Além disso, a discussão de um projeto de lei no Congresso Nacional que pretende criminalizar a homofobia gera intensos debates em Brasília e uma série de manifestações pelas ruas de diversas cidades do país patrocinadas por grupos de defesa dos direitos homossexuais e também por movimentos cristãos que são contrários à proposta.
Nesse contexto, o tema da parada deste ano será “Amai-vos uns aos outros: basta de homofobia”. "Nos apropriamos da frase para pedir fim à guerra travada entre religião e direitos humanos", diz texto divulgado pela organização do evento em uma "carta aberta contra o conservadorismo e o fundamentalismo".
A transmissão do UOL terá ainda o reforço de sites parceiros. Giuliano Spadari, do G Online, e André Fischer, do Mix Brasil, farão entrevistas exclusivas e vão mostrar todos os bastidores do evento.
Na contagem regressiva para a Parada, o UOL Notícias preparou uma série de reportagens especiais, que você acompanha dia-a-dia nesta página especial.
Antes da parada, no dia 21 (terça-feira), às 19h, a TV UOL realiza ao vivo um debate com o seguinte tema: “Homossexualidade: preconceito velado”, que terá a participação da escritora e especialista em diversidade sexual Edith Modesto, da USP, da cantora e compositora Vange Leonel, do jornalista, cineasta e escritor Vitor Ângelo e da advogada Maria Berenice Dias, especialista em Direito Homoafetivo, Direito das Famílias e Sucessões.
Uol Noticias



Duas mulheres homossexuais inauguraram uma igreja evangélica, chamada de Comunidade Cidade de Refúgio, no centro de São Paulo.

Lanna Holder era conhecida no meio religioso como ex-lésbica, ex-drogada e ex-alcoólotra, mas após 16 anos ela rendeu-se à homossexualidade e criou um refúgio a "todos os que foram escorraçados pela intolerância".
A sede da igreja fica na Avenida São João, na região da Santa Cecília, e já reuniu 300 pessoas logo no primeiro dia.
Cena G

ABB Galindo "Cierre por pelotas"

Cerca de 160 funcionários da ABB tiraram a roupa na Espanha e gravaram um vídeo para protestar contra o fechamento da fábrica onde trabalham. A unidade está localizada no País Basco, norte da Espanha, e será transferida para a Turquia.
A manifestação, um tanto inusitada, foi a maneira que os operários encontraram para chamar a atenção das autoridades. No vídeo, eles aparecem sem roupa, usando apena ferramentas de trabalhos para esconder suas partes íntimas.
O vídeo, que tem como trilha sonora a música YMCA, do grupo Village People, está no site de vídeos do Google, YouTube, e até o fechamento desta nota, tinha cerca de 16.000 visualizações.
O filme, gravado na semana passada, já foi reproduzido em diversos veículos de comunicação na Europa. De acordo com o jornal El País, um dos mais importantes na Espanha, a manifestação representa o enterro da fábrica na região.
De acordo com Jorge Marcos, porta-voz dos trabalhadores da ABB, é injustificável que uma empresa que tenha faturado 100 milhões de euros nos últimos três anos deixe toda a linha de produção na rua.
“O vídeo faz rir, mas a mensagem é séria. O fechamento da fábrica nos deixa sem nada, sem roupa, sem recursos e sem futuro", disse o trabalhador em nota.
Uol Noticias

quinta-feira, 16 de junho de 2011





O Ministério da Defesa resolveu tirar a expressão "pederastia" do Código Penal Militar por sugerir discriminação contra os homossexuais.

O ministro Nelson Jobim concordou em alterar o código em uma reunião nesta terça-feira (14) com representantes da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transsexuais. Essa é uma causa antiga do movimento, que também pede o fim da exigência do exame de HIV para o ingresso nas Forças Armadas.
Para o presidente da associação, Toni Reis, a retirada do termo "pederastia" já é uma grande vitória na batalha pelo respeito dos homossexuais nascorporações militares.
O Ministério irá encaminhar um projeto de lei ao Congresso estabelecendo a mudança no código criado em 1969, durante o regime militar. O texto atual proíbe ato libidinoso homossexual, ou não, em organizações militares como os quartéis.
O termo homossexual também será abolido da nova redação.
Gay 1

Que boa noticia. Será?


O senador Magno Malta (PR-ES) disse que abandonará o Legislativo se for aprovada a proposta que criminaliza a homofobia.

"Se o projeto de lei 122, que excita a criação de um terceiro sexo, for aprovado, com dignidade de cristão, renuncio do mandato de senador", disse.
Presidente da 'Frente Parlamentar em Defesa da Família Brasileira', Malta pendurou a promessa de renúncia em sua página na internet.
A proposta que desgosta Malta foi apresentada na legislatura passada pela ex-senadora Fátima Cleide (PT-RO). Sem apoio, desceu ao arquivo.
Ao chegar no Senado, Marta Suplicy (PT-SP) reapresentou o projeto, para desassossego de Malta e de toda a bancada evangélica e católica.
Deve-se a valentia do senador à certeza nutrida por ele de que a iniciativa de Marta é natimorta: “A proposta já voltou morta e sepultada”, diz.
Antes da promessa de renúncia de Magno Malta havia muitas razões para os congressistas aprovarem o tal projeto. Agora, há mais um motivo.
Gay 1


A Frente Paulista Contra a Homofobia está convidando a população LGBT para reforçar o grupo da Marcha Nacional da Liberdade, que rola no próximo dia 18, em São Paulo, a partir das 14h, com concentração no vão livre do MASP (Avenida Paulista, 1578).O objetivo da marcha é reivindicar um país livre da violência, da corrupção e do autoritarismo.

A Frente vai aproveitar para pedir também a criminalização da homofobia, o uso do nome social por pessoas trans e o direito ao casamento civil igualitário. É para levar guarda-chuva do arco-íris e toda sorte de materiais coloridos.
MixBrasil 
A Associação da Parada Gay de São Paulo (APOGLBT) acaba de confirmar ao MixBrasil que a cantora Wanessa fará o show de encerramento da Parada Gay de São Paulo marcada para o dia 26 de junho próximo. Faz três anos que a Parada não contava com um fechamento oficial. O show acontecerá no Vale do Anhangabaú e a organização se prepara para reunir um milhão de pessoas.
A maior preocupação da APOGLBT para realizar esse show é a de segurança, já que o show acontecerá a noite, a partir das 19h, e garantir segurança para um milhão de pessoas é de fato uma tarefa difícil.
Inicialmente, a previsão era de que fosse montado um palco na Praça da República, mas, segundo os organizadores, a mudança foi feita por questões de segurança – saídas de emergências para o caso de acidentes, facilidade de dispersão em casos de tumulto, maior ângulo de visão para os policiais, além do metrô que funcionará com carros extras para atender a demanda. A APOGLBT garante que 1.5 mil policiais e seguranças privados farão a segurança do show. No Brasil, tal público só foi alcançado em duas ocasiões: durante o show dos Rolling Stones, em Copacabana, em 2006, e durante as festas de réveillon que acontecem, anualmente, no mesmo local. Para se ter uma ideia, nem Lady Gaga conseguiu atrair tanta gente. Na Europride, realizada em Roma neste fim de semana, 500 mil pessoas assistiram ao show da cantora.
No palco a cantora Wanessa promete uma apresentação montada exclusivamente para a Parada. Músicas novas que farão parte do CD ainda inédito da cantora são algumas das surpresas que ela reserva para o show. Na reunião que definiu os últimos detalhes deste show, Wanessa chorou ao saber que cantaria para um milhão de pessoas.
MixBrasil
Nova York, 14 jun (EFE).- O governador de Nova York, o democrata Andrew Cuomo, apresentou nesta terça-feira um projeto de lei que legalizará o casamento homossexual no estado caso obtenha o respaldo do Senado, onde atualmente precisaria do voto de apenas um congressista a mais para ser aprovado.

Cuomo divulgou seu novo projeto enquanto cresce o apoio à iniciativa na Câmara Alta do estado, onde uma iniciativa similar foi rejeitada em 2009.
"Durante muito tempo foi negada aos casais do mesmo sexo a liberdade de se casar, assim como centenas de direitos que os outros nova-iorquinos têm", afirmou o governador em comunicado no qual declarou que a aprovação do casamento gay é "um assunto de igualdade e segurança jurídica, e não religioso ou cultural".
O projeto de lei permite "acabar com a barreira que impede os casais homossexuais de terem suas relações reconhecidas, proteger suas famílias e obter benefícios essenciais", disse Cuomo, que defendeu o peso de Nova York nas reivindicações civis para pedir ao Senado e à Assembleia que votem a favor da proposta.
A proposta de Cuomo deve ser referendada agora por ambas as câmaras estaduais antes que a sessão legislativa deste ano se interrompa por conta do recesso de verão americano, o que ocorrerá na próxima semana.
A Assembleia estadual aprovou em distintas ocasiões medidas semelhantes à apresentada pelo agora governador, enquanto o Senado rejeitou a proposta lançada pelo seu antecessor, David Paterson, há dois anos.
No entanto, Cuomo, que em campanha eleitoral se comprometeu a aprovar o casamento gay e lidera há meses uma contundente iniciativa midiática em favor da medida, conseguiu com que os senadores democratas que votaram contra a proposta em 2009 anunciassem seu apoio e que inclusive dois republicanos fizessem o mesmo.
Agora, o projeto de lei conta com o apoio de 31 dos 62 senadores da Câmara Alta e necessitaria de apenas um voto a mais para seguir adiante, um respaldo que muitos dão por feito em Albany, a capital do estado.
O apoio ao casamento entre pessoas do mesmo sexo foi aos poucos ganhando adeptos em Nova York, onde 60% dos eleitores defendem uma medida que, caso fosse aprovada, transformaria o estado no sexto a legalizar as uniões homossexuais no país.
Por enquanto, os estados de Vermont, Massachusetts, Connecticut, Iowa e Vermont, além de Washington, a capital do país, permitem os casamentos entre casais do mesmo sexo nos Estados Unidos.
Uol Noticias

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Dois pastores casados, em Belo Horizonte (MG), fundaram uma pequena igreja na capital, no Salão de Hotel Amazonas no centro. Segundo os pastores Marcos Gladstones e Fábio Inácio, o objetivo é levar o acesso livre ao Evangelho, sem discriminar o público gay. A primeira celebração que ocorreu contou com a participação de cerca de 30 pessoas. O próximo culto está marcado para este domingo (19) à noite.

Eles são do Rio de Janeiro, onde foi fundada a primeira unidade da igreja, em 2006. Marcos Gladstone, formado em teologia e direito, e Fábio Inácio, supervisor de telemarketing, foram os primeiros pastores do país a oficializarem uma união homoafetiva.
De acordo com o pastor Gladstone, a igreja nasceu de um sonho e do amor entre ele e o companheiro e a adoração que sentem por Jesus. "Durante anos convivemos com os preconceitos contra os homossexuais. Enfrentamos conflitos pessoais, mas hoje sabemos que Deus nos aceita como somos", afirmou ele.
Atualmente, segundo os pastores, existem mais duas outras unidades da igreja no Rio de Janeiro e aproximadamente 500 membros.
O pastor Fábio Inácio explicou que os cultos das igrejas são ministrados como em qualquer igreja evangélica, com oração, pregação e louvor. A bíblia usada também é a mesma. "Estamos levando a palavra de Deus para aquelas pessoas que desejam fazer parte de uma congregação, mas não são aceitas devido a sua orientação sexual", informou.
Apesar de a maioria dos membros ser gays (cerca de 90%), Gladstone e Inácio afirmam que a igreja é frequentada também por heterossexuais. "Os gays são a maioria porque não são aceitos em outras igrejas".
O cabeleireiro Guilherme Braga, 25, morador da capital, contou que era membro de uma tradicional igreja evangélica, mas, desde que tomou conhecimento da Igreja Cristã Contemporânea, vai ao local uma vez por mês. "O amor de Deus é sem preconceito. Agora eu me encontrei".
Gay 1



Após uma semana internado por causa de um infarto, Jorge Omar Iglesias, que ganhou fama como a drag queen Isabelita dos Patins, pôde, enfim, voltar para casa nesta quarta-feira, 8. “Mudou tudo, é uma vida nova. Ando com dificuldade e por enquanto não posso fazer força. Este mês será tudo assim, controlado. Tenho que ficar pianinho. Estou renascendo”, diz ele, que foi submetido a um cateterismo para desobstruir uma artéria. Como não pode fazer esforço, ele terá que ficar pelo menos um mês sem trabalhar, já que neste tempo não poderá patinar nem carregar o figurino pesado de Isabelita. “O doutor falou que daqui a um mês posso ir a um evento de Isabelita, mas sem os patins. A mala que levo com as roupas dela pesa quase 30 quilos, não sei como vou fazer”.
Ajuda de famosos
Para poder se manter, ele conta com a ajuda de amigos, alguns famosos. Claudia Jimenez, por exemplo, pagou a conta do hospital (particular, onde ele ficou internado por uma noite antes de ser transferido para um público especializado em cardiologia), que ficou em torno de R$ 11 mil.
“Por meio da imprensa, a Claudia ficou sabendo que eu tinha essa débito no hospital. Ela ligou para lá e mandou cobrir a minha despesa. Não nos conhecíamos, a história está aí. Me falaram para ficar tranquilo pq um artista da Globo havia pagado a conta. Serei eternamente grato a ela”, conta Jorge, que ainda não falou com a atriz. “Acabei de ter alta, mas quero encontrá-la o mais breve possível”.
Marília Pêra não só o ajudou financeiramente como o visitou no hospital. “Quando estava no CTI, minha primeira visita foi ninguém menos que a Marília. Quase tive um outro infarto. Adoro ela, mas não somos amigos íntimos. Achei uma coisa linda. Ela também depositou um bom dinheiro na minha conta. Se eu tivesse o Ronaldinho Gaúcho e o Eike Batista como padrinhos... (risos) O slogan é 'coloque uma drag queen na sua vida'. O Eike poderia me adotar (risos)”.
'Não quero viver de esmola'
Jorge acredita que o estresse causado justamente pelas dificuldades financeiras pode ter ajudado a causar o infarto. “A dor foi de repente, de um dia para o outro. Mas tem o estresse de cada dia, as contas para pagar, essa preocupação toda. Sou autônomo e a única renda que tenho é a da Isabelita. Às vezes ganho para um ou dois meses, mas e depois? Todo mundo quer a Isabelita, mas não sabe a despesa que dá”, diz ele, que cobra o mínimo de R$ 1 mil de cachê. “Estou com 62 anos, não quero viver de esmola”.
Seu único patrimônio é um apartamento em Vila Isabel, na Zona Norte do Rio. “Agora vou fazer um testamento, porque isso vai ficar para quem? Também tenho um pequeno acervo, digo que minha casa é o museu da Isabelita. Tenho um anel que foi da Carmen Miranda, um vestido da Ana Botafogo... Não tenho família, quero doar minhas coisas”, conta. Ele também prepara a papelada necessária para ser cremado. “Um dia a gente morre, né? Mas drag quando morre vira purpurina”, brinca.
NOTÍCIA G
O ator André Gonçalves roubou a cena durante um evento fashion em São Paulo, nesta terça-feira (14).

Bem humorado, o ator brincou durante o lançamento de uma nova coleção de roupas. Sucesso em “Morde e Assopra”, na pele do homossexual Áureo, André contou como tem sido a repercussão do novo trabalho.
“As pessoas gostam, se identificam, as crianças adoram... É um privilégio fazer um personagem que faz sucesso e deixa feliz”, disse.
O ator disse que teve a ajuda dos três filhos para compor o personagem. “Um ajudou no jeito, outro na roupa e o outro nos trejeitos. Estou adorando (a novela). Vão acontecer coisas engraçadas. Áureo vai ter uma recaída: ele vai até andar de calcinha”, adiantou.
Ao ser questionado se as pessoas já o definiram como gay por conta do personagem, ele respondeu: “Na minha vida, antes de fazer esse papel, é claro (que sim). Sou uma pessoa sensível, afeminada totalmente, sempre fui desde menino e isso não quer dizer que eu seja gay. Sou gay de outro jeito”.
Cena G
Depois que o kit contra homofobia foi vetado pela presidenta Dilma Rousseff, o Conselho de Direitos Humanos do DF, se reuniu no início do mês, assistiu aos vídeos do kit e aprovou sua utilização nas escolas.

Diante disso, o grupo determinou que a Secretaria de Educação do DF prepare relatórios trimestrais sobre o que o órgão realiza contra a violência física e verbal no sistema de ensino público.
Cena G


 
A Ordem dos Advogados do Brasil - Seção Espírito Santo (OAB-ES) realizou na última sexta-feira, 10 de junho, um seminário para debater temas relacionados aos direitos homoafetivos, no Centro de Ciências Jurídicas e Econômicas da Universidade Federal do Espírito Santo, em Vitória.

O evento teve a participação do coordenador nacional de Promoção de Direitos LGBT da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Gustavo Bernardes. Ele falou das políticas que vêm sendo adotadas pelo governo federal, como a criação do selo \"Brasil Território Livre da Homofobia\" e a realização da 2ª Conferência Nacional de Lésbicas Gays Bissexuais Travestis e Transexuais.
Bernardes citou ainda dados sobre a violência contra os LGBTs no Brasil. Em 2010, 260 pessoas foram assassinadas devido à sua sexualidade. E Disque Denúncia dos Direitos Humanos, o Disque 100, registrou 567 denúncias de homofobia.
O deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ) também foi um dos palestrantes do Seminário. O parlamentar se referiu ao Projeto de Lei Complementar 122 (PLC 122), que tramita no Congresso Nacional desde 2006 e também fez referência à Proposta de Emenda Constitucional (PEC) por ele apresentada que assegura o casamento civil a homossexuais, a despeito da conquista no Supremo Tribunal Federal em 5 de maio deste ano, que assegurou aos casais homoafetivos o direito a união estável.
Após participar do seminário, o deputado federal Jean Wyllys concedeu uma entrevista que você confere agora.


Brunella França – Qual foi a reação imediata dos parlamentares ditos da “bancada evangélica” ou dos conservadores, abarcando assim os religiosos católicos, após a decisão do STF em equiparar as uniões homoafetiva às uniões estáveis?


Jean Wyllys – A reação imediata deles foi ocupar a mídia tradicional e as redes sociais para reclamar dessa decisão do STF, acusando o STF de legislar, de ter feito leis no lugar do Legislativo, ou seja, de usurpar o Poder Legislativo. Claro que era uma reação esperada, uma reação de quem foi derrotado. O STF não usurpou o poder do Legislativo, o STF cumpriu a sua função, que é dispor das normas que existem para fazer valer o princípio constitucional da não discriminação e da defesa da dignidade da pessoa humana.
É lamentável que a bancada evangélica atue no sentido de diminuir, de tirar direitos de populações vulneráveis.


BF – O discurso do deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) é uma exceção ou encontra muitos adeptos?


JW – Ele não é uma exceção, ele é uma caricatura de um comportamento muito comum no Congresso Nacional. O discurso do Bolsonaro encontra uma ampla aceitação silenciosa da maioria dos congressistas, senadores e deputados.
Eu costumo dizer que os deputados, por mais que eles tenham divergências políticas no que diz respeito aos direitos trabalhistas, por exemplo, eles se unem quando se trata de tirar direitos de LGBTs ou de negar direitos a LGBTs.
Há uma parcela de aliados sim. Eu diria que o PT (Partido dos Trabalhadores) é a bancada que mais tem deputados aliados, favoráveis à cidadania de mulheres, negros, povos indígenas e homossexuais. Mas a bancada do PT não é a maior bancada, nem eles são a maioria, então os demais têm um discurso muito reacionário e conservador.
A gente consegue localizar nesses outros partidos sim pessoas aliadas, como a deputada Teresa Surita (PMDB-RR), a deputada Carmen Zanotto (PPS-SC), o deputado Danilo Forte
(PMDB-CE), o próprio ACM Neto (DEM-BA) assinou a Frente Parlamentar LGBT pelo menos para fazer existir. Mas tirando essas pessoas que a gente localiza pontualmente, e as que não se manifestam, o restante é contrário. Bolsonaro é uma caricatura desse comportamento.


BF – Por que ainda é tão difícil de os parlamentares brasileiros praticarem a laicidade do Estado e entenderem que os direitos dos homossexuais são direitos humanos?


JW – É uma pergunta que eu me faço. É um pouco incompreensível que a gente tenha fundado uma República Federativa, um Estado Laico Democrático de Direito e que as pessoas atuem no sentido de violar esse Estado de Direito, de abolir esse Estado Democrático de Direito.
Eu acredito que alguns deputados agem por dogmas, são pessoas que querem legislar a partir de dogmas religiosos. Não compreendem sequer o sentido de uma República Federativa. Em parte é por conta dessa ignorância, não há outra palavra, não estou ofendendo, porque ignorância é ausência de conhecimento. E tem quem haja sim por cinismo, querem tirar dividendos eleitorais. Ou seja, eles sabem que falar aos preconceitos e ao senso comum vai garantir votos nas eleições, então, eles trabalham, legislam, nesse sentido de tirar direitos, de violar o Estado Democrático porque eles estão falando para uma população que conserva muitos preconceitos.
O Brasil tem um déficit muito grande em Educação. Os índices da Educação estão aí para mostrar que a população brasileira carece de Educação. O que mais se fala é que o Brasil precisa garantir 10% do PIB (Produto Interno Bruto) para a Educação. E se o Brasil precisa investir em Educação, é porque a população brasileira está alijada de uma Educação de qualidade, que forme espíritos críticos e proteja essas pessoas de discursos demagógicos, de discursos de falsos profetas, de políticos interessados em explorar a boa fé do povo.
É a explicação que eu tenho para dar. Eu quero aproveitar também e dizer que eu citei o PT como um partido que tem muitos aliados, mas o PCdoB também tem muitos aliados. A deputada Manuela D’Ávila (PCdoB-RS), que é presidenta da Comissão de Direitos Humanos, é uma aliada e uma ativa combatente dos Direitos Humanos. Ela e a deputada Erika Kokay (PT-DF).


BF – Enquanto jornalistas, percebemos que a chamada “grade mídia” ainda reporta com vários equívocos notícias sobre os movimentos LGBT. Ao mesmo tempo, observamos o crescimento do uso da Internet para propagar informações e mobilizar pessoas não apenas LGBTs. Como você analisa esse contexto? Estamos utilizando bem a Internet? O que falta para a “grande mídia” noticiar corretamente notícias que nos envolvam?


JW – Essa grande mídia não é mais grande. Eu prefiro chamá-la hoje de mídia tradicional, de velha mídia. As mídias nativas têm crescido, as redes sociais têm reconfigurado a esfera pública, trazendo múltiplas vozes, permitindo a interatividade, portanto, amadurecendo o processo democrático. Mas se por um lado as novas tecnologias da comunicação e da informação fazem isso, reconfiguram a esfera pública no sentido de torná-la mais democrática, de trazer contra discursos, novas versões, esses redes viraram também expressões da barbárie.
É muito comum no Twitter a gente ver aquele comportamento de estouro de boiada. As pessoas começam a tratar de um assunto sem saber direito do assunto, começam a replicar determinadas notícias sem checar se a notícia é verdadeira ou não. A gente vive surtos de histeria coletiva. As redes também viraram espaço.
Pierre Levy, um filósofo francês que estuda as novas tecnologias, fala que há um dilúvio informacional e que a gente precisa escapar do dilúvio construindo a nossa arca, que vai atravessar esse dilúvio de informação. Gilberto Gil pegou essa ideia e numa canção chamada “Internet” ele diz “é preciso uma jangada, um barco que veleje nesse infomar, nessa infomaré”.
A melhor maneira de usar as redes sociais é construir sua jangada para atravessar essa infomaré. Seguir pessoas que você sabe que têm credibilidade, antes de retuitar, checar se a informação é verdadeira e não entrar nesse surto, nesse estouro de boiada. A mesma coisa vale para o Facebook.
É importante a gente lembrar que o que a gente publica na Internet fica para sempre, a Internet é um arquivo permanente, então aumenta a nossa responsabilidade com a dignidade do outro. Não é tudo sobre as pessoas que eu vou publicar e não é em tudo que está publicado que eu vou acreditar. É preciso que as pessoas tenham esse discernimento básico. E o que eu percebo é que está havendo uma inclusão digital não acompanhada de uma formação do uso dessas novas tecnologias. É um aprendizado que está vindo com o tempo, mas é preciso sempre lembrar isso: nem tudo que está na Internet é verdadeiro a respeito das pessoas, nem a gente pode publicar qualquer coisa sobre as pessoas, porque aquilo ali é para sempre.


BF – Não posso deixar de abordar a polêmica envolvendo o kit anti-homofobia desenvolvido pelo MEC (Ministério da Educação) e vetado pela presidenta Dilma Rousseff (PT). Houve ainda uma fala bastante infeliz da presidenta ao dizer que o Governo não poderia “fazer propaganda de opções sexuais (sic)”. Muito se especulou que o veto ao kit seria uma blindagem ao ex-ministro chefe da Casa Civil, Antonio Palocci. E agora, após a saída de ministro, como fica a questão do Projeto Escola Sem Homofobia?


JW – A presidenta não chegou a vetar o Projeto Escola Sem Homofobia, ela suspendeu. Uma suspensão injustificada, porque o projeto havia sido debatido exaustivamente, apresentado à sociedade em audiência pública; era um projeto que gozava de pareceres favoráveis da Unesco, do Conselho Federal de Psicologia, da UNE, do Conselho de Medicina, ou seja, era um projeto respaldado por entidades da sociedade civil que têm um envolvimento histórico no tratamento das questões de sexualidade e educação.
É uma suspensão injustificada, mas ao mesmo tempo a gente sabe que há uma justificativa para essa suspensão, que não é aquela que a presidenta falou publicamente com uma fala infeliz, que inclusive se referiu à “opção sexual” (sic), quando a gente sabe que não existe “opção sexual” (sic), existe orientação sexual. Ninguém opta por ser homossexual. A gente desenvolve uma sexualidade assim como os heterossexuais desenvolvem a sua.
E o tom meio raivoso também que a presidenta falou que o governo não iria fazer propaganda de “opção sexual” (sic) nenhuma. Ela demonstrou uma profunda insensibilidade em relação à quantidade de mortes que acontecem no Brasil por conta da orientação sexual. São 260 homossexuais mortos no ano passado.
O Projeto Escola Sem Homofobia não é propaganda, ela (a presidenta) sabe disso, o ministro da Educação sabe disso. Não há propaganda de orientação sexual nenhuma, é uma política de erradicação da violência nas escolas.
A presidenta foi infeliz naquela fala, o objetivo era blindar o ministro Palocci sim, e agora que ele caiu, já se fala na volta e na distribuição dos materiais às escolas, porque agora a verdade pode ser dita.


BF – Retomando a decisão histórica do STF em reconhecer a união estável de casais uniões homoafetivos, como fica o empenho e o trabalho do Legislativo a partir dessa decisão que veio do Poder Judiciário? Podemos esperar avanços do Congresso ou ainda não estamos preparados para isso?


JW – Se dependesse de mim, da Frente Parlamentar LGBT e dos deputados aliados, a gente avançaria nessa decisão do STF, que foi importantíssima, a equiparação da união estável homoafetiva à união estável entre pessoas de sexos opostos. Se dependesse de nós, o Congresso avançaria junto com o Judiciário, mas somos minoria hoje. E os deputados conservadores não só não gostaram da decisão como vêm se articulando, numa esperança vã porque não vai ser satisfeita, de sustar essa decisão do STF. Há uma vontade deliberada de negar direitos aos homossexuais.
De qualquer forma, a luta não pode parar e a gente está articulado sim na Frente Parlamentar. Temos uma PEC (Proposta de Emenda Constitucional) que está em fase de recolhimento de assinaturas, e que assegura o casamento civil a homossexuais, e nós temos o PL 122 no Senado, que foi desarquivado nessa legislatura pela senadora Marta Suplicy (PT-SP), que é uma pioneira em tratar dos temas LGBTs no Congresso Nacional. É inegável o valor histórico da atuação da senadora Marta Suplicy.
Quero aproveitar também para dizer que, apesar das minhas críticas à postura da presidenta Dilma no episódio do Escola Sem Homofobia, eu ainda confio que a presidenta Dilma, por ser mulher, vá de fato fazer uma defesa intransigente dos Direitos Humanos, como ela vem prometeu.
Nós do Congresso, nós os aliados e defensores da cidadania plena, estamos nos articulando no sentido de votar projetos de leis, fazê-los tramitar, de levantar discussões acerca dos direitos LGBTs.
por Brunella França
Radio music vix