segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Algumas pessoas se dizem descontentes com o trabalho do movimento LGBT. Porém, geralmente essas pessoas que ficam reclamando fazem pouco ou nada para melhorar a situação. Ou são autonomistas que não têm base social, ou não participam de reuniões periódicas de base. Essas pessoas geralmente não conhecem a realidade em que milhões de LGBT estão inseridos, algumas nunca atenderam o apelo desesperado de uma vitima da homofobia.

É importante lembrar para as pessoas que fazem criticas construtivas, que elas não se encaixam nas observações anteriores.
É necessário ter planejamento para atingir nossos sonhos. Você tem planos e idéias para melhorar a situação LGBT no Brasil?
Você tem um site que ajuda a construir o movimento? Ou você só quer detonar o que está sendo feito? Você já escreveu para Bolsonaro, Miriam Rios, Du Loren ou Malafaia protestando, ou fica esperando que os(as) outros(as) façam o que você poderia fazer? Você já protestou contra um vereador da sua cidade, ou um deputado do seu estado? Já parabenizou parlamentares aliados, ou prefere dizer que eles poderiam fazer melhor? Quantas cartas abertas você já escreveu? Quando uma organização LGBT pediu a sua opinião ou colaboração, você contribuiu ou só ficou falando depois como as coisas deveriam ter sido feitas. Quando convidaram para organizar a Parada LGBT em sua cidade, você ajudou ou simplesmente saiu falando que é um carnaval fora de época?
Você já aceitou assumir um cargo em uma organização LGBT? Ou recusou alegando falta de tempo e depois saiu criticando com afirmações do tipo: “essa turma quer é ficar sempre nos cargos"? Quando as pessoas estiverem trabalhando com boa vontade e com interesse para que tudo corra bem, há quem afirma que a entidade está dominada por um grupinho. Você já fez isto? Também há quem não lê o que é postado nas listas de e-mail e depois fica reclamando que nunca é informado de nada. Você já fez isto?
Quando há divergências com uma pessoa da diretoria ou da entidade, você procura com toda intensidade vingar-se na organização e nas listas de discussão e boicotar seus trabalhos, inclusive colocando as outras entidades congêneres contra?
E quando cessarem as publicações, os projetos, as reuniões e todas as demais atividades, enfim, quando nossa entidade morrer, você é daqueles que estufa o peito e afirma com orgulho: ‘’Eu não disse?’’?
Às pessoas que ficam reclamando, sugiro a leitura do texto abaixo, baseado em artigo sobre as obras de Erika Andersen e publicado no site Olhar digital;


Dica um: Tenha objetivos razoáveis na militância.
O (a) Ativista precisa entender exatamente o que o(a) inspira e qual o trabalho que pode dar mais prazer no futuro para definir um trabalho social e ideal. E precisa ser realista em seus objetivos: se sua ambição é criminalizar a homofobia, você pelo menos tem que falar com os(as) congressistas senadores(as), deputados (as). Com quantos(as) você já conversou sobre o assunto? Vai depender deles os votos.
Pense no trabalho baseado nos conhecimentos que já possui, experiências e interesses, além de, obviamente, descobrir ser tem os recursos necessários para trabalhar na área desejada. Busque apoio nas boates, saunas e sites LGBT. Eles(as) podem ajudar muito.
Foque no que você gostaria realmente de fazer e que acha ser possível. Aconselho que o(a) militante escreva suas principais conclusões e, a partir daí, trace um plano de ação para atingir seus objetivos, em determinado tempo. Se seu objetivo vai depender de formar uma ONG ou ganhar muito mais experiência profissional, pense em algo de longo prazo. Já se você quiser fazer um simples avanço em que está sendo feito, junte-se a quem está trabalhando É muito difícil trabalhar em grupo, mas, no final é gratificante. Temos hoje nove redes nacionais LGBT no país e 302 ONG registradas, e 35 fóruns informais, e mais 167 listas LGBT e muitas comunidades no Face book e Orkut e outras redes sociais.

Dica dois: Seja honesto sobre os obstáculos
Infelizmente tem homofobia para todo mundo trabalhar.
Depois de ter uma clara ideia de que gostaria de conseguir e quanto tempo vai ser necessário para atingir o trabalho dos sonhos, se prepare para as barreiras que podem surgir no caminho. Eu sugiro que você enxergue os obstáculos na política, nos recursos e nas pessoas.
Entre os exemplos de situações que precisam ser analisadas, destaco que o(a) ativista deve enxergar se a cidade o estado em que mora tem espaço para o trabalho que quer fazer, se está disposto a abrir mão de parte do salário atual para entrar em uma nova área; se vai ter dificuldade para aprender novas coisas que serão fundamentais na área que pretende seguir, entre outros. Lutar pelo coletivo, é só receber críticas, geralmente. O que você fizer receberá 97% de criticas e 3% de reconhecimento.


Dica três: Organize o plano de ação e vá à luta
Após entender exatamente o que quer fazer e quais os obstáculos vai enfrentar pela frente, o(a) ativista deve detalhar todos os esforços que serão necessários, na ordem correta, para atingir os objetivos.
Por exemplo, se você descobre que precisa buscar conhecimentos adicionais para atingir a cidadania dos sonhos, deve traçar um plano de ação específico para isso, em ordem cronológica. Como exemplo: 1) falar com as pessoas no movimento LGBT para entender o que elas pensam que é mais importante em termos de conhecimento e formação; 2) pesquisar os cursos e encontros específicos; 3) definir quais são as opções razoáveis em termos de tempo e dinheiro; 4) determinar a melhor opção.
Concluir a decisão de definir os rumos da própria atuação como ativista serve como um estímulo para qualquer militante. “Minha experiência é que muitas coisas boas se seguem a isso: mais energia, aumento da autoconfiança, moral elevada e uma excelente sensação de sucesso”.
Estamos firmes na luta pela cidadania plena LGBT.


Toni Reis
Presidente da ABGLT



A ABGLT (Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais) é uma entidade de abrangência nacional, fundada em 1995, que atualmente congrega 237 organizações congêneres em todos os estados brasileiros. A ABGLT também é atuante internacionalmente e tem status consultivo junto ao Conselho Econômico e Social da Organização das Nações Unidas.

A sua missão da ABGLT é “Promover ações que garantam a cidadania e os direitos humanos de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais, contribuindo para a construção de uma sociedade democrática, na qual nenhuma pessoa seja submetida a quaisquer formas de discriminação, coerção e violência, em razão de suas orientações sexuais e identidades de gênero”.
Assim como as Organizações Globo, a ABGLT luta para viabilizar a felicidade, e é neste sentido que vimos por meio deste parabenizar pela publicação dos Princípios Editoriais das Organizações Globo, principalmente no tocante ao respeito aos direitos humanos, aos direitos individuais e ao avanço da ciência, que não haverá assuntos tabus, que as Organizações são laicas e repudiam toda e qualquer forma de preconceito, e que as notícias serão pluralistas, acolhendo sempre o contraditório, entre outros princípios de fundamental importância.
Aproveitamos a oportunidade para encaminhar o Manual de Comunicação LGBT, para que seja distribuído para todas as equipes das Organizações Globo a fim de colaborar com a observância do espírito dos Princípios. Em especial, gostaríamos de solicitar que não seja utilizado o termo “homossexualismo”, sim a palavra “homossexualidade; que não se refira a “opção ou escolha sexual” e sim à “orientação sexual”, e que haja respeito para a identidade de gênero feminina das travestis, referindo-se às mesmas no feminino e não no masculino, assim como as demais orientações contidas no Manual.
No mais, elevamos nossa estima e consideração e despedimo-nos,
Atenciosamente
Toni Reis
Presidente
Gay 1


Pense Nisso

sábado, 6 de agosto de 2011



Nessa Quarta feira , dia 10/11 - Estreia ao programa gay de Vitória - Praia do Phil
na Universitária Fm 104.7
http://www.universitariafm.com.br/


Há dez anos, os casais homossexuais saíam da ilegalidade na sociedade alemã: em 1º de agosto de 2001, pessoas do mesmo sexo passaram a ser reconhecidas perante a lei com igualdade de direitos dos heterossexuais.

Desde então, 23 mil uniões do tipo foram seladas na Alemanha, segundo estatísticas oficiais.
Wolfgang e Werner Duysen foram um dos primeiros pares a se registrar como casal. Depois que a lei passou a vigorar, eles tiveram que esperar duas semanas para a união --tempo que o cartório no estado de Schleswig-Holstein precisou para obter o novo software para o registro civil.
"Nós estávamos nervosos, mas a juíza de paz estava ainda mais tensa porque era a primeira vez que fazia esse tipo de união, e ela não podia usar a palavra "matrimônio". Sem querer, ela a acabou dizendo e todos tivemos de rir", lembra Wolfgang.
Embora reconhecidos legalmente, os casais do mesmo sexo ainda reclamam de discriminação. Na Alemanha, a briga continua nos campos das leis de adoção e de impostos.
Gay 1


Dois rapazes de 22 e 23 anos que estavam abraçados foram agredidos dentro da estação Anhangabaú do Metrô de São Paulo na noite do dia 4 de agosto. Os seguranças da estação impediram que a agressão continuasse, mesmo assim os dois meninos tiveram ferimentos leves. As informações são da Secretaria de Segurança Pública.

Eram três os agressores, todos menores de idade (um de 16 e outros dois de 17 anos), e foram levados para a Delegacia de Polícia do Metropolitano (Delpom). Como são menores, os três agressores foram liberados depois que seus responsáveis assinaram um termo para que os adolescentes compareçam na Vara de Infância e Juventude.
MixBrasil


"Insensato Coração" chega ao fim no próximo dia 19 e um dos assuntos mais comentados foi o núcleo gay da novela. O folhetim falou muito sobre a homofobia e ousou ao mostrar um namoro homossexual como o de Eduardo (Rodrigo Andrade) e Hugo (Marcos Damigo). Nas últimas semanas, muito se especulou sobre a morte dos personagens, que seriam assassinados por Vinícius (Thiago Martins). O ator Rodrigo Andrade afirma não saber o desfecho certo de seu papel, mas só vê pontos positivos na trama escrita por Gilberto Braga e Ricardo Linhares. "Não sei se o Eduardo vai morrer, mas confio cegamente nos autores. O que for melhor para o personagem e para a sociedade vai ser o que vai acontecer", diz.

A Globo cortou parte de algumas cenas escritas pelos autores da novela das nove, como a que Paula (Tainá Müller) descobre que seu ex-namorado é gay. Na sequência, na boate Barão da Gamboa, havia muitas palavras de baixo calão, como “maricona”, que não foram ao ar. "Somente alguns xingamentos foram retirados, mas isso não comprometeu a cena", pondera Rodrigo.
A primeira relação sexual de Eduardo aconteceria em um motel, mas a transa acabou rolando na casa de Hugo. "Transferir o cenário não modificou o teor da cena. Ficou explícita a iniciação homossexual de Eduardo e nada foi mostrado. Fizemos o antes e o depois da transa de uma forma sutil que agradou a todos. Saio do Projac com o carro abarrotado de presentes e cartas que recebo do público. Eduardo já tocou muita gente", analisa.
Rodrigo faz questão de ressaltar que nunca gravou uma cena de beijo gay. "Alguns veículos escreveram que eu gravei uma cena de beijo com o Marcos e que não foi ao ar. Não houve essa cena. A gente não gravou. Acho que, na verdade, o beijo não fazia a diferença. Tudo pôde ser mostrado de maneira sutil", observa
Havia uma cena escrita em que a Sueli (Louise Cardoso) levava café na cama para Eduardo e Hugo (Marcos Damigo), mas que não foi ao ar. "Já pensei muito sobre esse assunto e não sei responder nada sobre os cortes das cenas. A gente não participa dessas decisões", esquiva-se Marcos Damigo.
A morte de Gilvan (Miguel Roncato), que foi ao ar nesta quinta-feira (4), já estava prevista desde que o ator foi convidado para o papel. "Já fui convidado sabendo que ele seria vítima fatal de práticas homofóbicas. Foi uma aparição relâmpaga, mas importante para a minha carreira", avalia Miguel.
Gravar a cena em que Gilvan é atacado por um grupo de pitboys e assassinado dentro do quiosque de Sueli (Louise Cardoso) não foi fácil para Miguel. "Nunca havia morrido em cena. Fiquei ansioso para gravar. Fui dirigido pelo Vinícius Coimbra, que me deixou muito à vontade", lembra.
Desde que Gilvan entrou em "Insensato Coração", Miguel assegura que nunca teve uma cena sequer cortada: "Tudo o que recebi no capítulo foi ao ar na íntegra". Na opinião de Miguel, Gilvan era um personagem sofrido e especial. "O pai e o irmão não aceitavam a homossexualidade dele e ele preferiu deixar a casa onde morava para buscar sua felicidade. Gilvan via o mundo de maneira simples e acho que isso cativou não só a Sueli, mas também o público", explica.
No dia 19, saem os gays de "Insensato Coração" e entra no ar um homossexual engraçado, o Crodoaldo Valério (Marcelo Serrado), de "Fina Estampa". Durante a coletiva de imprensa realizada no Projac, na manhã da última quinta-feira (4), o autor, Aguinaldo Silva, fez questão de dizer que não vai levantar a bandeira da união entre pessoas do mesmo sexo. "Não levanto bandeira nenhuma nas minhas novelas. Por enquanto, o único gay é o personagem do Marcelo, mas pode ser que mais alguém saia do armário ao longo da trama", adiantou.
Marcelo Serrado explica que Crô tem um caso secreto com alguém que, para o público, não é homossexual assumido. "Ele se relaciona com uma pessoa, mas há um mistério no ar. Se fosse para comparar com os gays de 'Insensato Coração', acho que o meu personagem segue mais a linha do Roni [Leonardo Miggiorin] porque ele é leve, divertido", disse.
O ator, aliás, parou de assistir a novela de Gilberto Braga e Ricardo Linhares justamente para não ser influenciado pelos homossexuais da trama. "Parece até cota! Tem gay demais na novela do Gilberto e o Aguinaldo vem meio que para quebrar isso", brincou.
Uol Entretenimento



Pense Nisso!

da ignorância que podemos solucioná-los.
Isaac Asimov


sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Um jovem que não teve o nome divulgado disse ter sido agredido por um grupo de rapazes ao ser confundido com um homossexual, no final da manhã desta quinta-feira, na avenida Gomes Freire, no centro do Rio.

Segundo a Polícia Civil, ele tentou registrar queixa na delegacia local, mas foi levado ao hospital municipal Souza Aguiar (centro) porque estava muito machucado. Aos policiais, disse que apanhou por pensarem que ele era gay.
"Foi informado que ele veio aqui machucado e foi orientado a primeiro procurar atendimento médico para poder não ter um problema maior. Eu não tenho ainda uma informação precisa acerca da natureza da agressão para ter pista sobre o paradeiro dos criminosos", disse o delegado titular da 5ª DP (Mem de Sá), Alcides Alves Pereira.
Ainda segundo o delegado, antes da agressão o jovem já tinha ido à delegacia para registrar perda de documentos. Em seguida, quando ele seguia rumo ao trabalho, na rua Uruguaiana, foi surpreendido pelos agressores.
A reportagem tentou contato com a Secretaria Municipal de Saúde, mas ainda não obteve retorno sobre o estado de saúde do jovem. Até as 14h30, ele ainda não tinha retornado à delegacia para registrar a ocorrência.
Gay 1




Eduardo (Rodrigo Andrade) e Hugo (Marcos Damigo) fazem uma pequena festa para assinarem o contrato de união estável. Kleber (Cassio Gabus Mendes), que a essa altura já sabe que é pai de Edu, vai à comemoração e se entende com o filho.

Kléber — Eduardo, se eu soubesse que tinha um filho, teria te procurado. Quando a sua mãe me contou, eu só não fui falar logo com você por que eu fiquei...
Eduardo — Chocado por ter um filho gay.
Kléber — Eu fiquei chocado com tudo. Mas não vou mentir, você sabe o que eu pensava dos gays, até há pouco tempo. Eu tô tentando mudar. Eu quero mudar. E vou conseguir. Você me ajuda... meu filho?
Eduardo — Hoje é o dia mais importante da minha vida. Eu tô feliz de você tar aqui...
Kléber — Posso te dar um abraço?
Edu assente. Kléber o abraça. A princípio, sem jeito. Edu hesita, mas retribui. O abraço fica forte. Ambos, emocionados.
Gay 1


A 15ª edição do Festival de Cinema Judaico – que até o próximo dia 7 de agosto ocupa seis salas de cinema em São Paulo – tem duas produções com foco no público LGBT, entre elas, a comédia americana “Oy Vey! Meu filho é gay!”, dirigida, produzida e escrita pelo cineasta russo (gay e judeu) Evgeny Afineevsky.

A produção já conquistou vários prêmios, entre eles, os de melhor filme segundo o júri popular no Festival de Cinema Judaico de Miami; melhor filme segundo o júri popular no Festival Internacional de Cinema Gay e Lésbico de Milão; melhor filme segundo o júri popular no Festival Internacional de Vídeo e Cinema Independente de Nova York.
No Brasil para participar de debates sobre o seu mais recente trabalho, o diretor Evgeny Afineevsky concedeu uma entrevista exclusiva ao MixBrasil. No papo, ele fala sobre o sucesso do filme, conta como sexualidade e religião influenciam suas obras e diz que os héteros é que precisam sair do armário.


Como surgiu a ideia do filme?
Este texto foi escrito há 27 anos. Meu primeiro contato com ele foi em 2000. Quando o li, pensei “uau, adorei isso!”. Filmes que mostram a saída do armário ou dramas envolvendo gays têm aos montes. Queria fazer um trabalho que tratasse deste tema sob uma perspectiva diferente, sob o ponto de vista dos pais, da família, de outras nacionalidades, como os mais tradicionais lidam com esta temática. E decidi escrever o roteiro para o filme. Levou quatro anos.


É o seu primeiro filme gay?
Não o considero como um filme gay. A ideia é mostrar como as relações étnicas, o envolvimento com a religião e o tradicionalismo das famílias são capazes de influenciar e lidar com os gays. Não quero fazer um filme para gays, mas um filme para todos os públicos, para que cada um veja como às vezes manter conceitos fechados te torna ridículo, ignorante. Você já imaginou um casal heterossexual em que a mulher é brasileira e o homem é asiático ou africano? Ou são de diferentes religiões? Esse tipo de preconceito ainda existe. Quero mostrar que é possível romper com as velhas tradições em nome de um sentimento maior, do amor incondicional.


“Oh Vey! Meu filho é gay!” tem conquistado vários prêmios. A que você credita o sucesso do filme?
O filme apresenta uma série de situações cotidianas. Quem está assistindo, seja gay ou hétero, facilmente vai se identificar. Os héteros precisam sair do armário, e o filme é um convite a isto. O fato de apresentar com entretenimento, de maneira leve e divertida, temas tão delicados que estão sempre aí, em pauta, seja um dos motivos. Estamos falando da luta pela igualdade, a luta para quebrar todos os paradigmas impostos por uma sociedade tradicional. Um dos atores do filme, o italiano Jai Rodriguez, é um exemplo vivo do que estou mostrando. Gay assumido, até hoje ele não é aceito pela família. Isso nos dias de hoje. Conheço vários casais, de diferentes nacionalidades, que os pais não aceitam o relacionamento por conta da sexualidade. Você tem que se aceitar e buscar ser amado pela sua família da maneira como você realmente é.


Você é gay e judeu, dois adjetivos de peso, dependendo do ponto de vista. Como você passa isso para os seus filmes?
Não tento passar a minha vida, mas a vida de várias pessoas para as telas. Seria egoísmo da minha parte mostrar somente minha experiência de vida. Mas é claro que as minhas referências culturais estão lá, as piadas, o restaurante russo, os aspectos da cultura em que vivo. O lado mais pessoal, acredito que não.


Você é russo, trabalhou em Israel e, atualmente, sua vida e sua carreira estão nos Estados Unidos. Como foi trabalhar uma produção com foco no público gay dentro destes três mercados?
A Rússia é um país extremamente homofóbico, a ponto de até hoje não ter conseguido levar às ruas uma Parada Gay. Ainda assim, centenas de pessoas compareceram à estreia do filme lá. Foi fantástico. Alguns críticos até chegaram a dizer que o filme estava tentando promover a homossexualidade, mas muitos dos principais críticos do país elogiaram o filme. Teve um que disse que o filme era como “um copo de água no meio do deserto”, tamanha a sua importância. Em Jerusalém – onde fica o coração da minha religião – o resultado também foi bastante positivo. O filme tem uma mensagem de entendimento e aceitação em que as pessoas são atraídas porque a história está inserida no cotidiano delas, em uma linguagem única, universal, que até os países mais pobres conseguem entender. Não é nada impositivo. As pessoas se sentem convidadas a conhecer essa realidade. Foi assim em Torino, Milão, Montreal, Madri, no Japão, na Alemanha, e em todos os outros países por onde o filme passou. Os americanos também são muito tradicionais, mas fazer um filme com um quê de telenovela, as quais eles já estão acostumados por conta das produções mexicanas, ajudou bastante na aceitação.


O número de filmes gays independentes é muito maior do que aqueles que são feitos no circuito comercial. É possível dizer que hoje, o mercado americano – especialmente Hollywood – está mais receptivo ao cinema gay?
Sim. Mas para que o seu filme dê certo, você precisa saber exatamente que mensagem você quer passar com ele, quais públicos você quer atingir, pensar no futuro do seu projeto. Também é preciso tentar trazer temas únicos, inserir questões multirraciais, sociais, não focar somente no mercado gay. Você não pode limitar o seu trabalho. Filme é uma obra de arte feita para ser consumida pelas pessoas.


É a primeira vez que vem ao Brasil?
Não. Estive aqui em 2003, durante a 27ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, para divulgar o filme “De Volta da Índia”, no qual atuei como produtor. Foi bastante divertido. Desta vez fui a locais que havia visitado antes como o Spot [restaurante frequentado por famosos], o Shopping Frei Caneca. Foi muito bom rever esses lugares. Lembrei de vários momentos. Aproveitei para rever as fotos dessa minha primeira passagem. Muito bom!


O que você conhece do cinema brasileiro?
Putz! É a segunda vez que me fazem essa pergunta. Infelizmente, não sei te dizer. Lá, os filmes são categorizados como latinoamericanos. Podem ser da Argentina, do Peru, do Brasil, não tem essa distinção. Recentemente assisti a um filme incrível, o peruano “Contracorriente”. É muito mais forte que “Brokeback Mountain”.

O que você achou da recente aprovação do casamento gay em Nova York?
Lembra que na Califórnia foi aprovado e pouco tempo depois cancelado? Espero que não se repita. Quanto à aprovação, achei ótimo. É preciso dar oportunidade para as pessoas que se amam estarem juntas oficialmente. Ainda que o importante seja alma e coração, o papel é um recurso importante pois te dá garantias. Possibilita que casais estrangeiros consigam viver juntos, que o parceiro acompanhe o outro em casos de emergência no hospital, entre outros direitos. É um grande acontecimento. Estou muito feliz pelos vários casais que vão poder desfrutar disto. Mas tenho que reconhecer que ainda há um longo caminho a ser percorrido.


Que projetos você está desenvolvendo no momento?
Estou trabalhando na adaptação do filme para que ele se torne seriado. Não tem nada muito definido, mas é provável que a estreia seja no ano que vem.
MixBrasil



O programa diário "Furo MTV", apresentado por Dani Calabresa e Bento Ribeiro, abordou nessa última quarta-feira (03) o tão polêmico projeto aprovado pela Câmara Municipal de São Paulo: Dia do Orgulho Hétero.

Com humor ácido e inteligente, características que fazem a diferença na atração, os apresentadores comemoram de maneira irônica a notícia. "O Dia Do Orgulho Hétero deve garantir a essa minoria o direito de andarem de mãos dadas na ruas, aos homens de usarem camisa polo, coçarem o saco onde bem entenderem. (...) Terem o direito de casar e ter filhos sem serem insultados por isso", disseram.
Na atração foi exibido ainda um vídeo de Bento Ribeiro andando de mão dada com uma garota e sendo "agredido" por Dani Calabresa, que se passava por uma travesti. Após a agressão, supostamente motivada por "heterofobia", Dani diz a Bento que o aceita como ele é. "Saiba que eu te aceito! Pode ver futebol, pode comprar playboy", brinca. A apresentadora fez questão de ressaltar que o projeto, de autoria do vereador Carlos Apolinário (DEM-SP), precisa ainda passar pela aprovação do prefeito Gilberto Kassab (PSD-SP).
"Como todos sabem, ele não é casado, não tem filhos... Sendo assim, acho que vai dá pra trás nessa aprovação", comentou Dani, em referência a campanha eleitoral de Marta Suplicy, em 2008, que questionou a sexualidade do prefeito.
Por fim, Dani Calabresa alertou: "agora é sério, galera!". "Ser um babaca é uma coisa, mas pensar que os héteros precisam de um dia pra eles, pra sofrerem tanto quanto os gays, é passar do limite. Já reparam que todo mundo que apoia essa causa hétero, ou tava na Marcha para Jesus xingando as bichas ou acham que eles destroem os 'valores familiares', ou seja, o que os vereadores de São Paulo aprovaram não foi o Dia do Orgulho Hétero e, sim, o Dia do Homofóbico Enrustido", alfinetou a apresentadora.
A Capa