quarta-feira, 23 de dezembro de 2009























Pela primeira vez, a lei 10.948/01, que combate a homofobia no Estado de São Paulo, foi utilizada para cassar o alvará de um estabelecimento. Na tarde desta quarta, 23, o Signos Bar e Karaoke, localizado na Avenida Portugal, foi lacrado por determinação da Corregedoria do Estado por conta da discriminação sofrida por um grupo de jovens gays na última sexta, 18.De acordo com Fábio de Jesus, presidente da ONG Arco-Íris e do Conselho Municipal da Diversidade Sexual, os rapazes pagaram para entrar no bar e se inscreveram para cantar no karaoke. "Aconteceu que o pessoal que organizava o karaoke não os deixava cantar, pulava as músicas que eles haviam escolhido", conta Fabio. Um dos jovens foi ao dono do bar, conhecido como Junior, para pedir explicações. Ainda segundo o militante, o homem estava bêbado e humilhou o cliente chamando-o de "viado" e termos semelhantes na frente de outras pessoas. As vítimas registraram boletim de ocorrência e procuraram a Arco-Íris para serem orientados sobre como prosseguir com a denúncia. Fabio de Jesus contou ao Mix que inicialmente procurou a Coordenação de Políticas da Diversidade Sexual do Estado, mas foi em vão. "Não nos sentimos bem recebidos e eles não retornaram minhas ligações". Foi a Cads de São Paulo quem o orientou a procurar a Corregedoria para invocar a lei anti-homofobia paulistana.
A revista Mag!, publicação da São Paulo Fashion Week, lança sua edição verão (dezembro/janeiro) com o tema Luxo sem medida. A publicação traz um especial sobre Belém do Pará e não faltam ensaios sensuais com modelos masculinos vestindo roupas e assessórios modernos de estilo paraense como colares, pulseiras, echarpes, penas e folhas de samambaia, por exemplo.Os estilistas paraenses André Lima e Lino Villaventura são entrevistados na edição e as duas maiores divas do estado, Fafá de Belém e Joelma, vocalista da banda Calypso, protagonizam ensaios fotográficos temáticos. O maior destaque, entretanto, são os perfis de artistas e personalidades locais de sucesso como a Rainha do Tecnobrega, a cantora Gabi Amarantos, figura presente em todas as Paradas Gays da região e Eloy Iglésias que é cantor, performer, ator, transformista e agitador cultural. Eloy é responsável pela Festa da Chiquita, evento gay criado há 31 anos e que faz parte do calendário oficial do Círio de Nazaré, procissão que acontece no segundo domingo de outubro em Belém.A publicação ainda traz Johnny Luxo vestido de mendigo, uma matéria sobre o célebre estilista Dener, feita pelo seu biógrafo Carlos Alberto Dória, além de um texto de Antônio Bivar, recheado de fotos, sobre personagens luxuosos e excêntricos como Ney Matogrosso, Lady Gaga, David Bowie, Maria Alcina, Dzi Croquettes, Boy George, Edy Star, Clóvis Bornay e Elke Maravilha, entre outros.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009



O presidente da comunidade islâmica de Lisboa, Abdul Vakil, posicionou-se no último domingo, dia 20 de dezembro, sobre o projeto de lei que legaliza o casamento homossexual em Portugal. "A minha religião não admite casamentos homossexuais ou lésbicos, são valores abraâmicos, casamentos são sempre entre pessoas de sexos diferentes, mas lei é lei e se eles [Governo] querem passar a lei, passam com certeza, mas nós, os muçulmanos, não acreditamos em casamentos homossexuais”, diz Vakil à agência de notícias Lusa. "Eu não estou a dizer que condeno os homossexuais, mas sim que a religião islâmica não admite a homossexualidade. Mas eu respeito o cidadão homossexual enquanto indivíduo", declarou ainda o líder islâmico após a conferência “Definição do Islã” realizada na cidade de Amadora. Vakil admitiu que irá respeitar a lei caso aprovada, mas ressaltou que ainda não teve tempo para refletir mais profundamente sobre a questão e que o mais importante no momento é “uma tomada de posição conjunta das várias religiões” sobre a lei. A proposta de lei sobre casamento de pessoas do mesmo sexo foi apresentada, na quinta-feira passada, dia 17 de dezembro, pelo governo socialista, que conta com o apoio de todos os partidos de centro e de esquerda, formando a maioria do Parlamento.



Nunca é tarde para sair do armário. Foi o que provou um dos jogadores mais bem sucedidos do rúgbi, Gareth Thomas, de 35 anos, do País de Gales, que assumiu sua homossexualidade em entrevista ao jornal Daily Mail.A revelação de Gareth pegou a todos de surpresa. "Foi realmente difícil para mim esconder o que realmente sou. Já passei todas as emoções possíveis com isto, lágrimas, raiva e um desespero considerável. Estou preocupado com a reação das pessoas e o efeito que possa haver na minha família", contou Thomas, que recentemente se separou de sua esposa Jemma.Thomas confessou ainda foi infiel durante o casamento e que visitou locais gays em Londres quando viajava com sua equipe. Segundo o jogador, sua sexualidade era mentida em segredo desde os 16 anos, por temer a reação da "cultura machista" que envolve o rúgbi.
"O rúgbi sempre foi minha vida e eu não estava preparado para me arriscar a perdê-lo. Não queria ficar conhecido como o jogador gay de rúgbi", declarou.Daqui pra frente, Thomas espera ser tratado com
respeito por seus colegas de profissão. Se depender do presidente Robert Noster, do Cardiff Blues, atual clube do jogador, tudo continuará como sempre foi."A vida pessoal de Thomas só compete a ele. A equipe continuará o apoiando como jogador e como indivíduo que exemplifica os valores do compromisso, da valentia e do jogo limpo", declarou Robert.



O presidente Lula lançou nesta segunda-feira (21/12), no Palácio do Itamaraty, em Brasília, o 3º Programa Nacional de Direitos Humanos que aborda, entre outros assuntos, a defesa de um projeto de lei que permita a união civil entre pessoas do mesmo sexo.Além de apoiar o casamento gay, o programa prevê que os sistemas de informação pública passem a considerar como informação autodeclarações de gays, lésbicas, travestis e transexuais. Estes dois últimos podem ainda ter o direito de escolher seus nomes em documentos sem necessidade de decisão judicial. No ano passado, durante a I Conferência Nacional LGBT, no qual participou da abertura, o presidente Lula afirmou "que seu governo é contrário a toda forma de preconceito". O 3º Programa Nacional de Direitos Humanos é coordenado pela Secretaria de Direitos Humanos e elaborado com o apoio de mais 30 ministérios.
A minissérie global Cinquentinha pode voltar à telinha para uma segunda temporada em abril de 2010. A informação foi confirmada pelo autor Aguinaldo Silva em seu blog. "Recebi um longo telefonema da direção artística da Rede Globo, no qual ela não apenas me propôs o trabalho, como me perguntou se seria possível Cinquentinha estar de volta à telinha já daqui a quatro meses", postou Aguinaldo. A minissérie teve seu último capítulo exibido na sexta-feira, dia 18 de dezembro. Entre seus diferenciais, apresentou dois personagens gays assumidos e representados de forma diferente dos que são comumente mostrados na televisão: Carlo (Pierre Baitelli), um vilão manipulador, e Leila (Ângela Vieira), uma jornalista de meia idade, bonita, bem sucedida e "caçadora".Homossexual assumido, o autor Aguinaldo Silva revelou, meses antes da minissérie ir ao ar, estar cansado da forma como os gays eram retratados na teleinha. Em entrevista recente ao site G1, reafirmou sua visão: "A maioria desses personagens eram pasteurizados demais, além de se comportarem dentro dos padrões da classe média mais careta".Aguinaldo acrescentou ainda que tal "postura" se deve, sobretudo, à preocupação de outros autores em mostrar ao telespectador que os gays são normais. "O problema é que, como já disse aquele famoso filósofo baiano, de perto ninguém é normal, inclusive os gays", justificou.Sobre seus dois personagens gays de Cinquentinha, o autor confirmou que eles foram inspirados em pessoas reais. Já em relação ao aguardado beijo gay em novelas, Aguinaldo é taxativo: "Desisti de dar beijo gay na televisão. Agora só dou beijo gay em em casa".
O Governo do Estado de São Paulo e o Grupo E-jovem de Adolescentes Gays, Lésbicas e Aliados assinaram um convênio na semana passada que prevê a criação da primeira escola para jovens homossexuais do pais, a Escola Jovem LGBT.De acordo com Deco Ribeiro, do Grupo E-jovem e futuro diretor da escola, cursos serão abertos a jovens homossexuais, heterossexuais e bissexuais já a partir de 2010. “A escola é um Ponto de Cultura. O fato de os cursos serem abertos a todos e não só a jovens gays é parte da nossa estratégia de combate à homofobia. Preconceito é ignorância. Para vencer isso, precisamos levar nossa arte, nossa expressão e nosso discurso a quem não nos conhece. Se a valorização da cultura negra é estratégia do movimento negro, assim como de vários povos e regiões, por que não valorizar a cultura LGBT?” , indaga Deco Ribeiro.A escola terá sede em Campinas e deve atender a população da cidade assim como das regiões de Sorocaba, Grande São Paulo e da Baixada Santista. Segundo os organizadores, os alunos poderão fazer aulas de criação de zines e revistas, criação literária, dança, música, TV, cinema, teatro e até de performance drag. E o material produzido ao longo dos cursos, como CDs e DVDs, livros e revistas, devem ser posteriormente distribuídos gratuitamente. O projeto Escola Jovem LGBT, selecionado por meio de concurso público, será financiado por convênio entre o Governo do Estado de São Paulo e o Ministério da Cultura que visa apoiar entidades que desenvolvem papel na comunidade nas áreas de fomento, difusão, produção e formação cultural.As aulas devem começar em março de 2010 e tanto as matrículas quanto as inscrições para bolsas de estudo já estão abertas. Interessados devem entrar em contato através do e-mail escola@e-jovem.com ou pelo tel.: (19) 3307-3764.

Uma monografia apresentada neste fim de ano ao curso de graduação em Comunicação Social, com Habilitação em Publicidade e Propaganda, da Universidade Salvador (UNIFACS) concluiu que a publicidade pode ser uma poderosa multiplicadora da homofobia. A tese é da formanda Lara Bastos Abdala e analisa os elementos homofóbicos na campanha publicitária “In-your-face”, que a gigante Nike realizou em julho de 2008, nos Estados Unidos.O estudo analisa as peças publicitárias “That Ain’t Right”, “Isn’t That Cute” e “Punks Jump Up” e buscou identificar elementos (a boa e velha Semiótica) que, quando usados, fizeram as peças publicitárias reproduzirem a homofobia existente na sociedade. O trabalho é dividido em cinco partes e estuda a elaboração das mensagens publicitárias e sua importância e ainda esclarece o que é exatamente o preconceito contra homossexuais. O objetivo de Lara é apresentar as características julgadas como homofóbicas como forma de auxiliar os profissionais de comunicação a construírem uma imagem do homossexual masculino, com reflexos para todos os LGBT, condizente com a realidade, sem estereótipos.“É importante esclarecer que a questão não foi abordada sob a ótica das leis em vigor, a favor do respeito às diferenças, e nem leis contra as propagandas homofóbicas, mas sob a ótica do conteúdo simbólico das mensagens difundidas nos anúncios”, articula Lara na apresentação do trabalho.
A Assembleia Legislativa da Cidade do México aprovou na segunda-feira o casamento entre homossexuais, com os mesmos direitos das uniões entre pessoas de gêneros diferentes, o que inclui o direito a adotar filhos.De acordo com os vereadores, a capital mexicana se torna assim a primeira cidade latino-americana a autorizar o matrimônio homossexual.O projeto, criticado pela Igreja Católica, foi aprovado por 39 votos contra 20, após um acalorado debate na Assembleia Legislativa do Distrito Federal mexicano, onde a esquerda tem maioria."Estamos deixando de segregar ou estigmatizar um setor social dando-lhe acesso a uma instituição que é o matrimônio. É avançar na direção de direitos plenos", disse à Reuters o parlamentar David Razú, presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia e autor do projeto.Em 2006, a Assembleia já havia aprovado a chamada Lei de Sociedade em Convivência, um contrato de união civil que garantia certos direitos, como a pensão alimentícia.A nova lei amplia os direitos de modo a incluir heranças, união patrimonial para a obtenção de crédito bancário e a possibilidade de receber benefícios do seguro social, entre outros."Estamos falando da possibilidade de ter um patrimônio familiar, de ter relações de parentesco e sucessão testamentária, entre muitas outras coisas", disse Razú, que durante o debate usou um cachecol com as cores da bandeira homossexual.Para a Arquidiocese do México, a legalização das uniões entre homossexuais é imoral e pretende destruir as famílias."O reconhecimento das sociedades de convivência homossexual como matrimônio vai contra o bem público e o desenvolvimento dos nossos filhos", disse Giovanni Gutiérrez, do conservador Partido Ação Nacional, no qual milita o presidente Felipe Calderón.